VOMITANDO COELHINHOS


memória
Março 9, 2008, 6:39 pm
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“…I could assume that the memory retains no more than a millionth, a hundred-millionth, in short an utterly infinitesimal bit of the lived life. That fact too is part of the essence of man. If someone could retain in his memory everything he has experienced, if he could at any time call up any fragment of his past, he would be nothing like human beings: neither his loves nor his friendships nor his angers nor his capacity to forgive or avenge would resemble ours.”
(Milan Kundera, Ignorance)



O quarto do corpo dela é do tamanho e da forma de seu corpo
Fevereiro 28, 2008, 12:50 am
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“Ela passou a maior parte da vida sem notar que estava nele. Bons tempos aqueles em que estava a serviço em algum país onde ninguém a conhecia, de onde mandava reportagens sobre mortes em massa e sobre sua própria segurança. Mas eram outros tempos – geralmente em Nova York, geralmente em festas – em que não havia nada que não fosse seu corpo. Ela ficava claustrofóbica em seu apertado ser. Ficava insegura em seu folgado ser. O tamanho e a forma de seu corpo não correspondiam ao tamanho e à forma dela.”

Jonathan Safran Foer, Quarto após quarto



aos de ontem
Fevereiro 25, 2008, 11:26 pm
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Um dos livros que leio no momento é o Granta, que foi lançado aqui pela Alfaguara como livro mas que, na verdade, é uma revista literária inglesa. Esta edição é de contos dos ditos “melhores jovens escritores norte-americanos” (por jovens, leia-se nascidos após 1970). Achei alguns bem fraquinhos, mas muitos outros são valiosos.

Ultimamente, estou obcecada em descobrir novos escritores. Já tive a minha fase com música, quando ainda usava soulseek, e baixava zilhões de bandas – não conseguia escutar nem metade, claro. Perdi muito tempo escutando lixo, mas descobri muita coisa boa também.

Eu faço isso por paixão. Porque quero acreditar que ainda hoje surjam aqueles capazes de produzir clássicos. Na minha busca por escritores novos, por exemplo, gostaria de achar o novo Borges, a versão século XXI do Cortázar, alguém que entenda sobre o amor e o indizível tão bem quanto Clarice ou Guimarães Rosa. Não que eles não bastem em si mesmos. Mas é que quero passar pela vida muito bem amparada, e tem muita vida pela frente.



título do blog
Fevereiro 18, 2008, 2:09 am
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Porque Cortázar é um dos escritores mais FODAS de todos os tempos. Leia algo como “Casa Tomada” (conto do Bestiário), “As Armas Secretas”, que inspirou Antonioni a filmar Blow Up, ou o clássico “O Jogo da Amarelinha”, e tire suas próprias conclusões.

O título do blog vem do conto “Carta a uma senhorita em Paris”, também presente em Bestiário. Esse livro está esgotado, só em sebo. Comprei o meu do Flávio, e a edição é antiga e tem uma capa linda.